Ah, se eu fosse marinheiro…

Se partisse colava com cola de maresia, eu amava e desamava, surpreso e com poesia

Maresia (Adriana Calcanhotto).

Como pode um coração e várias paixões? Essa é a graça da vida (uma das…). Amar, entregar-se, viver tudo aquilo, ter a capacidade de enxergar o fim, reconstruir-se, amar novamente, entregar-se… um ciclo sutil, ao passo que intenso. Achamos que tudo vai acabar junto com ele, mas logo tudo volta ao que era antes do início. Melhor, volta melhor.

… quero viver como marinheiro.

Aprendemos em cada giro desse ciclo… temos duas opções: ou nos tornamos frios, ou com ainda mais sede de amar.

Sem dúvida, minha boca está seca. Seca de vontade de viver um milhão de ciclos que a vida me der. Vontade de girar até ficar tonta… cair (por que não?). Levantar-me, observar, analisar, seduzir, amar… tudo de novo. Não do mesmo jeito mas, ainda melhor!

Quero viver como um marinheiro…

Olhar o mar e seu balanço, sua liberdade. Desejado, imenso, temperado. Movimentos ora tranquilos, ora agressivos, sempre abruptos, súbitos! Mesmo assim atraente… quem sabe por isso mesmo…

Suas ondas se esquivando do vento, das pedras, de qualquer obstáculo que se faça presente… sempre sinuoso e forte. Sabe dos seus caminhos… sábios caminhos.

… quero viver como um marinheiro.

Em cada canto, seu canto… em cada porto, profundo.

Profundo como a paixão. Há quem diga isso do amor e negue essa propriedade da paixão… sem razão.

Paixão é profunda. Não julguemos se mais ou menos… isso vai de porto a porto. Em uns encontramos liberdade, serenidade, coração batendo forte e seguro. Em outros intensidade, loucura, tensão, tesão… desejo de prender-se, trazer mais próximos do nosso corpo com as unhas, pra não escapar… pra marcar.

Quero viver como um marinheiro…

A cada porto uma surpresa, um encanto. A cada porto uma paixão, uma emoção… algumas vezes sentindo saudades, outras não. Mas, sempre vivendo o lugar, as pessoas e o que elas têm de bom pra você. Só interessam as coisas boas… dependendo da perspectiva, o “ruim” pode ser bom! Não é mesmo? O ruim ensina, te sacode. Fortifica. O ruim é bom. Pensando assim, nada é ruim.

Por isso…

… quero viver como um marinheiro.

Não preciso de dinheiro, nem de conforto. Apenas de…

… um amor em cada porto.

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4 Respostas to “Ah, se eu fosse marinheiro…”

  1. Indiscutivelmente o melhor textoooooo.
    Muito bom messmo.
    É isso aí blogueira.
    bj.

  2. aninhamedeiros Says:

    Amiga, que lindo! Mas é por ai mesmo, o negocio é não desitir do amor…

    Bom domingo procê!

    Beijos

  3. O texto é apaixonanteeeee. Bem q vc disse q eu me identificaria com ele.
    Bom mesmooo. Parabéns!
    Beijão

  4. Déborah Marques Says:

    Meu Deus!
    Indiscutivelmente lindo! Profundo…intenso!
    Não sabia que além de fotógrama era poeta e prosadora!
    Tá demais eim? Qnd crescer vou torcer pra ser assim…

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